Teatro

Eu poderia começar esse parágrafo da mesma forma como comecei o texto da seção “Cinema” mas eu não estaria sendo honesto. Participar do coletivo de autores Pizza foi uma experiência muito marcante com dois esquetes escritos por mim: “A Bolinha” e “Uma Pizza Chamada Desejo”.

PIZZA COLETIVO

O Pizza fez duas apresentações que eram compostas por esquetes dos diversos autores do coletivo. Cada autor tinha que seguir um dogma, regras pré-estabelecidas que teriam que estar presentes durante cada peça.

Na primeira edição do Pizza, em homenagem ao mestre Tenessee Williams, a frase que deveria aparecer era a última da peça “Um Bonde Chamado Desejo”, dita por Blanche Dubois: “Sempre dependi da bondade de desconhecidos.” Além disso, o esquete tinha que acontecer em uma situação de entrega de prêmio e um palito precisava aparecer como objeto de cena. Como se não bastasse, algum ator precisava se deitar, em algum momento da esquete, e levantar-se rapidamente em seguida.  Pra fechar, um personagem dos esquetes tinha que ter os nomes dos autores do coletivo (Clara Meirelles, David França Mendes, Julia Spadaccini, Maria Clara Mattos, Rodrigo Ferrari e Susi Ribeiro). “Uma Pizza Chamada Desejo” foi muito bem recebida, a julgar pela reação da plateia.

O coletivo apresentou sua segunda edição dois meses depois, também na Casa da Gávea, e dessa vez o dogma era outro: a frase a ser dita por um dos personagens era “Sempre tive uma natureza mais sentimental do que artística”, um dos atores precisava sentir uma lufada de vento e o objeto cênico era uma Papaiz, aquela chave de quatro faces com uma bolinha em relevo e que deu o nome para o meu esquete (“A Bolinha“).

Embora o Pizza não tenha novamente se reunido, mantemos uma página do coletivo no Facebook com informações, folders e fotos dos ensaios e das apresentações.